Alexandra Forbes
Do site Vida Boa

Moro fora, mas estou aqui. São Paulo, minha terra. Pedaço de mim. O povo apressado, sempre, se apertando em camadas de casacos de acrílico e falsa pele para aguentar o frio atípico, o peso da fuligem no céu caindo como um véu de tule.

Home sweet home.

No táxi, rumo à avenida Paulista, sacolejando, vejo o borrado das bancas de camelôs e farmácias, a rua cheia e sigo buscando um lampejo: de que poderia falar nesta coluna de hoje? Tento pensar longe, mas sinto-me cheia do meu entorno, parte daquilo tudo, mas ao mesmo tempo distante. Incomodada com o ritmo acelerado dos carros, ônibus, homens, moleques sem rumo, engraxates, polícias, mendigos, bancários.

Minha cidade, hoje, enxergo com olhos de estrangeira. Me parece feia, ruidosa, emaranhada. Cara, pujante, nova-rica. Aqui, um buraco na calçada, lixo jogado. Ali, o bacana no volante do Mercedão, no celular. Sempre o celular. Saco da bolsa a máquina e começo a clicar, na ânsia de capturar aquela nostalgia incômoda que me enche o peito. Hoje, não escrevo mais: deixo que as imagens falem por si sós.

Veja as fotos e leia o artigo na íntegra

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