Bruna Furlan
Foto Divulgação

Caco Ciocler está em cartaz no cinema, no teatro, tem projetos para outros quatro filmes ainda este ano e ainda é pai de Bruno, adolescente de 15 anos. O que deixaria muita gente de cabelo em pé, é levado com serenidade pelo ator. Ele conta que, ao fazer 40 anos, em setembro passado, percebeu que as coisas tinham mudado, que a vida tinha acalmado. “Não digo que me encontrei, senão eu poderia morrer amanhã. Mas encontrei um caminho, estou mais centrado”, considera ele, que diz continuar se questionando sobre a importância das coisas em sua vida. Foi num período de questionamento que ele chegou a Construção, espetáculo com o qual está em cartaz em São Paulo.

Numa sessão de terapia, o analista sugeriu que ele lesse o conto homônimo de Kafka. “É um monólogo sobre uma criatura, não humana, que constrói uma toca e se isola do mundo. É uma metáfora a alguém que se sente profundamente ameaçado pelo outro, pelo mundo de fora e passa a vida pensando em estratégias para se defender. É um texto terrível”, explica. “O tipo de discussão que a peça propõe é quanto tempo perdemos construindo estratégias para lidar com o outro. Essa é uma questão universal.” Além dos projetos profissionais, ele ainda tem planos de estudar fora por um tempo com a mulher, Marina Previato, com quem está há quatro anos. E também administra um restaurante, o Biondi, em São Paulo, onde a entrevista foi feita. Um tartar de salmão foi o pedido do ator, cujos conhecimentos gastronômicos se limitam a comer. “Não cozinho nada”, diverte-se.

Dois Coelhos é um filme com muitos efeitos visuais. Como foi a experiência de filmá-lo?
Uma coisa ou outra eu estranhei. O Afonso (Poyart, diretor) falava ‘agora não pode mexer porque vai ter tal efeito’ ou ‘finge que está olhando para não sei o que’. E isso tudo é introduzido depois. A grande surpresa foi quando assisti ao filme. Não imaginava a grandiosidade dos efeitos e o quão bem feitos iam ficar. Eu não sabia que no Brasil já era feito esse tipo de coisa com tão pouco dinheiro. Fiquei muito impressionado.

E pretende fazer mais cinema neste ano?
Estreio mais dois filmes em 2012. Disparos, da Juliana Reis e Meu Pé de Laranja Lima, do Marcos Bernstein, no qual eu fiz uma participação especialíssima, muito carinhosa. Em fevereiro, vou rodar De Menor, da Caru Alves de Souza e filmo o próximo longa do José Eduardo Belmonte em maio.

Você já fez alguns papéis de galã. Na vida real você também é um?
Eu sou muito tímido com quem eu não conheço. Acho que provoco nas pessoas um ar de mistério, um ar de cara muito bem resolvido. Que é tudo mentira (risos). Mas eu acho que cria um certo mistério: ‘ quem é essa pessoa tão tranquila, tão calma, tão bem resolvida?’. Minha sedução vai por aí. Não é uma sedução ativa, é uma sedução passiva. De fazer com que as pessoas fiquem interessadas.

E como é sua relação com seu filho?
Há dois anos o Bruno está morando comigo. A relação com ele é ótima. É muito louca porque é uma idade muito difícil. Pra ele é difícil ter 15 anos, e pra mim é difícil porque eu nunca tive um filho de 15 anos. E isso eu digo pra ele. ‘me ajuda a entender o que está acontecendo com você, porque pra mim é tão novo quanto pra você’. Mas a gente se dá super bem. É uma idade que ele precisa criar a individualidade dele, ele tá um pouco mais quieto, um pouco mais introspectivo.

Você é sócio de um restaurante italiano em São Paulo (Biondi). Você cozinha?
Absolutamente nada (risos). Tenho o restaurante em sociedade com meu cunhado, Bruno Previato, e mais dois sócios. Quem toca o restaurante é o Bruno. Eu opino nas questões administrativas , frequento bastante.

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